Presidentes do Brasil: quem foram, períodos de mandato e resumo de seus governos

Conheça os presidentes do Brasil desde 1889, com seus mandatos e principais características de governo.

Carlos Luz: o presidente que governo o Brasil por menos tempo.
Carlos Luz: o presidente que governo o Brasil por menos tempo.

 

Introdução


A história republicana do Brasil teve início em 15 de novembro de 1889, com a Proclamação da República, evento que encerrou o período monárquico iniciado em 1822. Desde então, o país passou por diferentes fases políticas, como a República da Espada (1889–1894), a República Oligárquica (1894–1930), a Era Vargas (1930–1945), a República Populista (1946–1964), o Regime Militar (1964–1985) e a Nova República (1985 até o presente). Ao longo desses períodos, diversos presidentes conduziram o Estado brasileiro, enfrentando contextos políticos, econômicos e sociais variados, que influenciaram profundamente o desenvolvimento do país.


Deodoro da Fonseca (1889–1891)

Marechal do Exército e líder da Proclamação da República em 15 de novembro de 1889, governou inicialmente como chefe do Governo Provisório e, posteriormente, como presidente constitucional eleito em 1891. Durante seu governo foram estabelecidas as bases institucionais do novo regime republicano, incluindo a Constituição de 1891, que instituiu o federalismo e o presidencialismo. Seu mandato foi marcado por instabilidade política e conflitos com o Congresso Nacional, culminando em sua renúncia em novembro de 1891.


Floriano Peixoto (1891–1894)

Vice-presidente de Deodoro da Fonseca, assumiu o poder após a renúncia do titular. Seu governo consolidou a jovem República em meio a revoltas, como a Revolta da Armada (1893–1894) e a Revolução Federalista (1893–1895). Floriano adotou postura autoritária e centralizadora para manter a ordem, o que lhe rendeu o apelido de “Marechal de Ferro”. Seu mandato marcou o fortalecimento do poder federal e a estabilização inicial do regime republicano.


Prudente de Morais (1894–1898)

Primeiro presidente civil da República, eleito em 1894, representou o início do predomínio político das oligarquias estaduais, especialmente de São Paulo. Seu governo enfrentou a Guerra de Canudos (1896–1897), conflito entre o Exército brasileiro e seguidores de Antônio Conselheiro no interior da Bahia. O período consolidou a influência das elites agrárias na política nacional.


Campos Sales (1898–1902)

Implementou uma política econômica de austeridade para reorganizar as finanças públicas após crises herdadas de governos anteriores. Firmou o Funding Loan (1898) com credores internacionais, renegociando a dívida externa brasileira. No campo político, estruturou a chamada política dos governadores, sistema de apoio mútuo entre o governo federal e as oligarquias estaduais.


Rodrigues Alves (1902–1906)

Seu governo destacou-se pela modernização urbana da cidade do Rio de Janeiro, então capital federal. As reformas conduzidas pelo prefeito Pereira Passos e as campanhas sanitárias lideradas por Oswaldo Cruz transformaram a infraestrutura urbana e combateram epidemias como febre amarela e varíola. Essas medidas provocaram resistência popular, culminando na Revolta da Vacina em 1904.


Afonso Pena (1906–1909)

Promoveu investimentos em infraestrutura e transportes, especialmente na expansão das ferrovias. Seu governo buscou estimular o crescimento econômico e a integração territorial do país. Faleceu no cargo em 1909, sendo substituído pelo vice-presidente.


Nilo Peçanha (1909–1910)

Assumiu a presidência após a morte de Afonso Pena. Criou o Serviço de Proteção aos Índios (SPI) em 1910, órgão destinado à proteção e integração dos povos indígenas na sociedade brasileira. Seu governo também incentivou a expansão do ensino técnico e profissionalizante.


Hermes da Fonseca (1910–1914)

Militar e sobrinho de Deodoro da Fonseca, governou em meio a tensões políticas e revoltas regionais. Implantou a chamada política das salvações, intervenção federal em estados dominados por oligarquias rivais. Durante seu mandato ocorreu a Revolta da Chibata (1910), protagonizada por marinheiros contra castigos físicos na Marinha.


Venceslau Brás (1914–1918)

Seu governo coincidiu com o período da Primeira Guerra Mundial (1914–1918). Em 1917, o Brasil declarou guerra à Alemanha após ataques a navios brasileiros. Internamente, houve crescimento da indústria nacional devido à redução das importações durante o conflito.


Delfim Moreira (1918–1919)

Vice-presidente de Rodrigues Alves, assumiu interinamente após a morte do presidente eleito antes de tomar posse. Seu governo foi marcado por instabilidade política e problemas de saúde que limitaram sua atuação, deixando grande parte das decisões sob responsabilidade de ministros.


Epitácio Pessoa (1919–1922)

Eleito presidente enquanto participava da Conferência de Paz de Paris após a Primeira Guerra Mundial. Seu governo investiu em obras públicas e infraestrutura, especialmente no Nordeste. O período também foi marcado por tensões militares e pelo fortalecimento do movimento tenentista.


Artur Bernardes (1922–1926)

Governou praticamente todo o mandato sob estado de sítio devido às revoltas tenentistas e à instabilidade política. O período foi marcado por forte repressão a movimentos militares e oposição política, além da continuidade do domínio oligárquico na política nacional.


Washington Luís (1926–1930)

Último presidente da República Oligárquica. Seu governo priorizou a construção de rodovias, refletindo o lema “governar é abrir estradas”. A crise econômica mundial de 1929 afetou profundamente a economia cafeeira brasileira. Em 1930, foi deposto por um movimento revolucionário liderado por Getúlio Vargas.


Júlio Prestes (1930)

Eleito presidente em 1930, não chegou a assumir o cargo devido à Revolução de 1930, que impediu sua posse e colocou Getúlio Vargas no poder.


Getúlio Vargas (1930–1945; 1951–1954)

Figura central da política brasileira no século XX. Assumiu o poder em 1930 após a revolução que encerrou a República Oligárquica. Governou inicialmente de forma provisória, depois constitucional e, entre 1937 e 1945, sob o regime autoritário do Estado Novo. Criou importantes leis trabalhistas, como a Consolidação das Leis do Trabalho (1943). Retornou ao poder pelo voto em 1951, mas enfrentou forte crise política e suicidou-se em 1954.


José Linhares (1945–1946)

Presidente do Supremo Tribunal Federal que assumiu interinamente após a deposição de Vargas em 1945. Seu governo conduziu o processo de transição democrática e a organização das eleições presidenciais.


Eurico Gaspar Dutra (1946–1951)

Eleito presidente após a redemocratização. Promulgou a Constituição de 1946, restabelecendo instituições democráticas. Seu governo alinhou-se politicamente aos Estados Unidos durante a Guerra Fria e adotou políticas econômicas liberais.


Café Filho (1954–1955)

Vice-presidente que assumiu após o suicídio de Vargas. Buscou estabilizar a economia e enfrentar a inflação. Seu mandato ocorreu em um período de forte instabilidade política.


Carlos Luz (1955)

Presidente interino por poucos dias após o afastamento de Café Filho. Foi deposto por um movimento militar liderado pelo general Henrique Lott.


Nereu Ramos (1955–1956)

Assumiu a presidência interinamente para garantir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek. Seu governo foi breve e voltado à manutenção da ordem institucional.


Juscelino Kubitschek (1956–1961)

Seu governo ficou marcado pelo Plano de Metas, que buscava acelerar o desenvolvimento econômico e industrial do país sob o lema “cinquenta anos em cinco”. Realizou grandes obras de infraestrutura e construiu Brasília, inaugurada como nova capital do Brasil em 1960.


Jânio Quadros (1961)

Eleito com forte discurso anticorrupção, renunciou ao cargo apenas sete meses após assumir, em agosto de 1961. Sua renúncia gerou grave crise política e abriu caminho para a posse de seu vice-presidente.


João Goulart (1961–1964)

Assumiu após intensa crise institucional e governou inicialmente sob o regime parlamentarista, posteriormente revertido para o presidencialismo em 1963. Propôs reformas de base, incluindo mudanças agrárias e sociais. Foi deposto pelo golpe militar de 1964.


Ranieri Mazzilli (1964; 1964–1965)

Presidente da Câmara dos Deputados que assumiu interinamente após o afastamento de João Goulart e novamente após a eleição indireta durante o regime militar. Seu papel foi sobretudo administrativo durante a transição política.


Humberto Castelo Branco (1964–1967)

Primeiro presidente do regime militar instaurado após o golpe de 1964. Promoveu reformas institucionais e econômicas e estabeleceu os Atos Institucionais que ampliaram o poder do Executivo e restringiram direitos políticos.


Artur da Costa e Silva (1967–1969)

Seu governo intensificou o autoritarismo do regime militar. Em 1968 foi decretado o Ato Institucional nº 5, que suspendeu garantias constitucionais, ampliou a censura e fortaleceu o poder repressivo do Estado.


Junta Militar (1969)


Após o afastamento de Costa e Silva por problemas de saúde, uma junta composta por três ministros militares assumiu temporariamente o governo até a escolha de um novo presidente.


Emílio Garrastazu Médici (1969–1974)

Seu governo coincidiu com o chamado “milagre econômico brasileiro”, período de forte crescimento econômico. Ao mesmo tempo, intensificaram-se a repressão política e as violações de direitos humanos.


Ernesto Geisel (1974–1979)

Iniciou um processo gradual de abertura política conhecido como distensão. Seu governo buscou reduzir o autoritarismo do regime militar, ainda que mantendo controle político sobre a transição.


João Figueiredo (1979–1985)


Último presidente do regime militar. Promoveu a Lei da Anistia em 1979 e conduziu o processo de abertura política que culminaria na redemocratização do país em meados da década de 1980.


José Sarney (1985–1990)

Assumiu após a morte do presidente eleito Tancredo Neves. Seu governo marcou o início da Nova República e a promulgação da Constituição de 1988. Enfrentou grave crise econômica e hiperinflação.


Fernando Collor de Mello (1990–1992)

Primeiro presidente eleito por voto direto após a ditadura. Implementou políticas econômicas liberais e um plano de combate à inflação que confiscou poupanças. Sofreu impeachment em 1992 após denúncias de corrupção.


Itamar Franco (1992–1995)

Assumiu após o impeachment de Collor. Seu governo ficou marcado pela implementação do Plano Real em 1994, que estabilizou a moeda brasileira e reduziu drasticamente a inflação.


Fernando Henrique Cardoso (1995–2003)

Eleito após o sucesso do Plano Real, implementou reformas econômicas e programas de privatização de empresas estatais. Seu governo também promoveu estabilidade monetária e políticas de abertura econômica.


Luiz Inácio Lula da Silva (2003–2011)

Seu governo foi marcado por políticas sociais de combate à pobreza, como o programa Bolsa Família, e por crescimento econômico impulsionado pelo mercado internacional de commodities. O período também enfrentou escândalos políticos, como o caso do mensalão.


Dilma Rousseff (2011–2016)

Primeira mulher a ocupar a presidência do Brasil. Seu governo enfrentou desaceleração econômica, protestos populares em 2013 e crise política crescente. Em 2016 sofreu processo de impeachment sob acusação de irregularidades fiscais.


Michel Temer (2016–2019)

Assumiu após o impeachment de Dilma Rousseff. Seu governo implementou reformas econômicas, como o teto de gastos públicos e a reforma trabalhista. Enfrentou baixa popularidade e denúncias políticas.


Jair Bolsonaro (2019–2023)

Seu governo caracterizou-se por forte polarização política. Defendeu pautas conservadoras e promoveu mudanças em políticas ambientais e sociais. Enfrentou desafios significativos durante a pandemia de COVID-19 entre 2020 e 2022.


Luiz Inácio Lula da Silva (2023–presente)


Retornou à presidência após vencer as eleições de 2022. Seu governo tem enfatizado políticas sociais, retomada de programas de combate à pobreza, políticas ambientais e reconstrução de relações diplomáticas internacionais. Também enfrenta desafios econômicos e políticos em um cenário de forte polarização no país.

 

Curiosidades:


Presidente que governou por mais tempo

Getúlio Vargas governou o Brasil por mais tempo. Somando seus dois períodos no poder, permaneceu na presidência durante aproximadamente 18 anos. O primeiro período ocorreu entre 1930 e 1945, quando assumiu após a Revolução de 1930 e governou inicialmente como chefe do governo provisório, depois como presidente constitucional (1934–1937) e, posteriormente, sob o regime autoritário do Estado Novo (1937–1945). O segundo período ocorreu entre 1951 e 1954, quando retornou ao poder por meio de eleições diretas.


Presidente que governou por menos tempo

Carlos Luz foi o presidente que permaneceu menos tempo no cargo. Ele governou apenas três dias, entre 8 e 11 de novembro de 1955. Assumiu interinamente após o afastamento de Café Filho, mas foi deposto por um movimento político-militar liderado pelo general Henrique Teixeira Lott, que buscava garantir a posse do presidente eleito Juscelino Kubitschek.


Presidente mais jovem

Deodoro da Fonseca foi o presidente mais jovem a assumir o governo do Brasil. Ele tinha 62 anos quando se tornou chefe do Governo Provisório após a Proclamação da República em 15 de novembro de 1889. Entretanto, considerando presidentes eleitos pelo voto direto, o mais jovem foi Fernando Collor de Mello, que assumiu a presidência em 15 de março de 1990 com 40 anos de idade.

 

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Por Jefferson Evandro Machado Ramos (professor e historiador graduado em História pela FFLCH-USP)

Publicado em 07/03/2026


 

Fonte de referência:


VIZEU, Rodrigo. "Os presidentes: a história dos que governaram o Brasil, de Deodoro a Bolsonaro". São Paulo: HarperCollins Brasil, 2019.



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