Plano Cohen: o que foi, contexto histórico e consequências.
O Plano Cohen foi um documento forjado em 1937, atribuído falsamente aos comunistas, e utilizado por Getúlio Vargas como pretexto para instaurar o Estado Novo e consolidar seu regime ditatorial.
Plano Cohen: documento forjado para objetivos políticos.
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O que foi o Plano Cohen e qual sua origem?
O Plano Cohen foi um suposto documento elaborado em 1937 que descrevia um plano comunista para tomar o poder no Brasil. Ele teria sido redigido por militares ligados à Ação Integralista Brasileira, mas apresentado como se fosse uma estratégia comunista. O texto trazia instruções de como desencadear uma revolução, incluindo ataques a autoridades, saques e o incentivo ao caos social.
A autoria foi atribuída ao capitão Olímpio Mourão Filho, que posteriormente admitiu ter redigido o documento como um exercício militar fictício. No entanto, o texto foi utilizado politicamente para difundir medo entre a população e justificar medidas autoritárias do governo de Getúlio Vargas, especialmente no contexto da iminente decretação do Estado Novo.
Contexto histórico e político
O Brasil vivia, na década de 1930, um cenário de intensa instabilidade política, marcado por disputas entre grupos conservadores, liberais e comunistas. A Revolução de 1930 havia levado Vargas ao poder, mas a década foi permeada por tensões sociais e políticas, como a Revolta Constitucionalista de 1932 e a Intentona Comunista de 1935, que fortaleceram o discurso anticomunista.
Nesse contexto, o medo do comunismo tornou-se uma ferramenta útil para Vargas e seus aliados. O documento falso, divulgado como se fosse uma prova de uma conspiração comunista em curso, surgiu como um pretexto perfeito para ampliar o poder do governo e suprimir liberdades democráticas. A ameaça vermelha, ainda que não real, foi manipulada para legitimar o autoritarismo.
O que dizia o Plano Cohen?
O texto do Plano Cohen descrevia um suposto projeto de tomada do poder pelo Partido Comunista, com instruções detalhadas sobre como proceder. Ele sugeria que militantes comunistas deveriam incendiar prédios, atacar quartéis, assassinar líderes políticos e religiosos e estimular greves gerais para desestabilizar o país. O documento pretendia transmitir a ideia de uma ameaça organizada e iminente.
Também se falava na intenção de destruir símbolos religiosos e atacar a Igreja Católica, buscando gerar repulsa entre a população, predominantemente católica. Esse conteúdo foi amplamente divulgado pelos meios de comunicação da época, reforçando a sensação de que o Brasil estava prestes a ser tomado por um movimento revolucionário comunista.
Consequências do Plano Cohen:
• Consolidação do Estado Novo: o Plano Cohen foi usado como justificativa para Getúlio Vargas decretar o Estado Novo em 1937, instaurando uma ditadura que duraria até 1945.
• Supressão das liberdades democráticas: com base no falso documento, o governo dissolveu o Congresso Nacional e restringiu direitos civis e políticos.
• Intensificação da censura e repressão: jornais, associações e partidos foram perseguidos, sobretudo aqueles ligados à oposição e ao movimento operário.
• Fortalecimento do autoritarismo: Vargas concentrou poder em suas mãos, ampliando o controle sobre os estados e sobre as instituições nacionais.
• Legado histórico negativo: o episódio do Plano Cohen passou a ser lembrado como um dos principais exemplos de manipulação política por meio do uso do medo e da propaganda.
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SÍNTESE SOBRE O PLANO COHEN
1. O que foi o Plano Cohen
– Documento falso: elaborado como simulação de um plano comunista para tomada do poder no Brasil.
– Usado como pretexto político: serviu para justificar o Golpe de 1937 e a implantação do Estado Novo.
2. Origem do documento
– Autoria militar: redigido pelo capitão Olímpio Mourão Filho, ligado à Ação Integralista Brasileira.
– Propósito original: inicialmente criado como exercício interno de treinamento do Exército.
3. Conteúdo do Plano Cohen
– Suposta conspiração comunista: descrevia ações como greves, ataques a igrejas, assassinatos e destruição da ordem.
– Estímulo ao medo social: o texto foi construído para provocar pânico e repulsa à ideia de revolução comunista.
4. Contexto histórico e político
– Instabilidade política: década de 1930 marcada por conflitos, como a Intentona Comunista (1935) e tensões sociais.
– Discurso anticomunista: crescimento da retórica contra a esquerda usada por setores conservadores e por Vargas.
5. Divulgação e manipulação
– Apoio da imprensa: jornais divulgaram o documento como se fosse autêntico.
– Uso estratégico por Vargas: apresentado ao Congresso como prova da necessidade de medidas emergenciais.
6. Consequências:
– Golpe de 1937: Vargas fecha o Congresso e decreta o Estado Novo.
– Ditadura instaurada: início de um regime autoritário centralizado e repressivo.
– Censura e perseguição: repressão a opositores políticos, especialmente comunistas e liberais.
– Legado histórico: exemplo clássico de manipulação do medo para fins autoritários no Brasil.
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Por Jefferson Evandro Machado Ramos (graduado em História pela FFLCH-USP)
Publicado em 17/09/2025
Fontes de referência:
SOUTO MAIOR, A., História do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1968.
https://periodicos.ufsc.br/index.php/sequencia/article/view/16143/14696