Governo Hermes da Fonseca: Política das Salvações e resumo
O governo de Hermes da Fonseca (1910-1914) foi marcado pela política das salvações, que buscava intervir nos estados para enfraquecer oligarquias regionais, mas resultou em conflitos políticos e instabilidade, além de enfrentar crises econômicas.
![]() Hermes da Fonseca: presidente do Brasil entre 1910 e 1914
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Introdução (eleição e contexto histórico)
O marechal Hermes da Fonseca foi ministro da guerra do governo Nilo Peçanha entre 1906 e 1909. Gaúcho, da cidade de São Gabriel, foi um dos fundadores do PRC (Partido Republicano Conservador). Com forte apoio do coronelismo e dos eleitores da zona rural, Hermes da Fonseca foi eleito em 1910 e governou o Brasil entre 1910 e 1914.
Seu governo é marcado por instabilidades políticas, greves e, principalmente, revoltas que contestavam aspectos da política oligárquica.
Principais características e fatos históricos do governo Hermes da Fonseca:
- Apoio dos setores conservadores do país.
- Política econômica voltada para o desenvolvimento rural do país, com ações destinadas a valorização do café. Desta forma, adotou poucas medidas voltadas para o desenvolvimento industrial e modernização dos setores produtivos do país.
- Reprimiu os marinheiros que participaram da Revolta da Chibata em 1910.
- Criou a lei que tornava o serviço militar obrigatório no país.
- Enfrentou a Guerra do Contestado, revolta popular ocorrida da região sul do Brasil.
- Durante seu governou ocorreram greves (reivindicavam melhores salários e condições de trabalho) em várias cidades, que foram combatidas com força policial dos estados apoiados pelo governo federal.
Política das Salvações
Política em que Hermes da Fonseca interveio nos estados (com apoio de tropas federais), substituindo grupos oligárquicos por interventores civis e militares apoiados pelo estado. A justificativa governamental para tal ação era a busca da moralidade política e redução das desigualdades sociais no país. Porém, Hermes da Fonseca buscava, com esta política, diminuir o poder de grupos locais que faziam oposição ao seu governo.
Estas intervenções foram exitosas em alguns estados (Bahia, Alagoas e Pernambuco), porém fracassaram em outros (Piauí, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraíba). No Ceará houve uma revolução (Revolução Cearense), que chegou a derrubar o governo colocado por Hermes da Fonseca.
Fim do governo
O governo de Hermes da Fonseca terminou em 1914, marcado pelo desgaste político e pela forte oposição das oligarquias regionais. Sua sucessão representou o retorno do domínio das elites tradicionais, que retomaram o controle da política nacional. As intervenções promovidas durante seu mandato geraram conflitos internos e instabilidade, enfraquecendo sua base de apoio. Além disso, a crise econômica e a insatisfação com sua administração contribuíram para a dificuldade de manter sua influência após deixar o poder.
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Atualizado em 31/01/2025
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Fontes de pesquisa utilizadas na elaboração do artigo:
BELLO, J. M. História da República, 1889-1954; síntese de 65 anos de vida brasileira. São Paulo: Editora Nacional, 1969.
BOULOS JR., Alfredo. História do Brasil – Império e República. São Paulo: FTD, 1995.